Sempre que pensamos em sensibilidade auditiva associada ao autismo, o que normalmente se vem a cabeça? Uma criança parada no meio de uma praça, as mãos nos ouvidos, olhos apertados e o corpo ligeiramente encolhido, como se estivesse protegendo seu mundo interno, não é? Quem convive com pessoas no espectro sabe que sons comuns podem ser, para eles, verdadeiros trovões.
Por que a sensibilidade auditiva é tão frequente em autistas?
Ouvimos muito sobre seletividade alimentar ou comportamentos repetitivos, mas a parte sensorial é um dos desafios mais incômodos do dia a dia. Aliás, dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que 2,4 milhões de pessoas já foram diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista no Brasil, e boa parte dessa população relata experiências sensoriais intensas, principalmente com o ruído.
O que parece normal para uns, pode ser insuportável para outros.
Em pesquisas e rodas de conversa com pais e terapeutas, é perceptível que a hipersensibilidade auditiva pode gerar ansiedade, crises e até afastar o autista das situações sociais. A boa notícia? É possível diminuir bastante o desconforto na rotina com alguns ajustes e estratégias. A seguir, listaremos algumas ideias que podem ajudar e auxiliar nesse processo:
Reconhecendo sinais de incômodo auditivo
Antes de pensar em soluções, o primeiro passo é observar o comportamento. Muitas crianças (e adultos!) não conseguem dizer com clareza que algo está machucando os ouvidos. Fique de olho em:
- Reação de susto ou incômodo com sons repentinamente altos;
- Mãos tapando os ouvidos com frequência;
- Tendência a buscar ambientes silenciosos ou isolar-se de grupos;
- Irritabilidade ao entrar em lugares movimentados (supermercados, festas);
- Choro ou crise aparentemente “sem motivo”.
Esses sinais são fáceis de notar quando prestamos atenção. Já vimos muitos pais em dúvida, até porque, para quem observa de fora, pode parecer birra. Não é.
Dicas práticas para lidar com a sensibilidade auditiva
O Ministério da Saúde, ao recomendar avaliação precoce para todos os pequenos entre 16 e 30 meses, destaca como a intervenção certa faz diferença no bem-estar futuro (veja aqui). Isso também vale para adaptações sensoriais.
- Proteja os ouvidos com abafadores de ruído ou fones específicos. Eles podem ser aliados em festas, aulas de música, viagens de ônibus ou até pausas no recreio. Não coloque a criança só com tampões de espuma, pois nem sempre funcionam igual.
- Prepare o caminho: antecipe possíveis barulhos contando quando vai passar o caminhão de lixo, a campainha vai tocar ou vai acontecer uma queima de fogos. Verbalizar e apontar “vai fazer barulho” ajuda o autista a se preparar.
- Crie juntos uma “bolha segura”: escolha um ambiente da casa mais silencioso, com iluminação moderada e objetos que transmitam calma. Lá, a pessoa pode relaxar até que se sinta pronta para voltar à rotina.
- Use recursos visuais, como kartazes ou cartões, para mostrar o que está por vir. Antecipar transições ajuda o autista a se organizar, amenizando sustos sonoros.
- Inclua a criança nas escolhas: pergunte qual fone é mais confortável, ou que espaço ela prefere para fazer as tarefas barulhentas. Autonomia gera mais segurança.
Recomendamos sempre que essas sugestões estejam alinhadas ao acompanhamento terapêutico contínuo, inclusive com avaliação por protocolos reconhecidos, como o VB-MAPP e o ABLLS-R, que o Abraço oferece. São ferramentas que mostram a evolução e orientam os ajustes individuais, o que traz uma tranquilidade maior nos processos de desenvolvimento.
Adaptação dos ambientes: um diferencial que faz diferença
A Câmara Municipal de Belo Horizonte, recentemente, discutiu leis sobre a proteção de pessoas com TEA contra barulhos intensos (veja a notícia). Isso mostra como o assunto, tão presente em casa, começa a ganhar espaço nas políticas públicas.
Se você deseja dar o próximo passo, vale ler materiais como adaptação do ambiente para oferecimento de acolhimento sensorialmente seguro. Pequenas mudanças na disposição dos móveis, isolamento acústico em janelas e o uso de sons ambientes relaxantes (como ruído branco) também podem ser um grande conforto.
Como incluir a família e a escola nesse processo?
Muitas vezes, sentimos que o esforço só do cuidador não é suficiente. Quando todos participam, inclusive educadores, temos mais sucesso. É desejável estimular reuniões regulares para combinar sinais de comunicação, horários de pausa e até estratégias para evitar sobrecarga, tema desenvolvido em dicas para lidar com sobrecarga sensorial.
Quando buscar ajuda especializada?
Se as mudanças práticas não forem suficientes, orietamos sempre a procurar um pediatra, neuropediatra ou terapeuta ocupacional. O Ministério da Saúde mantém diretrizes para Atendimento Especializado à Deficiência Auditiva no SUS, tema detalhado em atenção especializada às pessoas com deficiência auditiva.
É importante considerar que, segundo estudo do Rio Grande do Sul, 0,64% das pessoas com TEA também têm deficiência auditiva associada. (veja o estudo)
Com pequenas práticas, a rotina pode se transformar. E, sinceramente, poucos apps oferecem suporte tão completo quanto o Abraço, que integra comunicação com terapeutas, acompanhamento do progresso e recursos de educação para famílias, se diferenciando das demais alternativas do mercado.
Quer ir mais fundo no tema? Sugerimos artigos sobre estratégias para acolher autistas, autoregulação sensorial e apoio diário para pais. No final? O conforto sonoro é um direito, não um luxo.
Se você quer transformar a vida sensorial de quem ama com estratégias realmente humanas, convidamos a conhecer o aplicativo Abraço. Crie uma rotina mais harmoniosa, personalizada e conectada com quem mais importa!











