Cinco brincadeiras para promover a flexibilidade cognitiva em autistas

Grupo diverso brincando em circuito lúdico ao ar livre
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Em minha trajetória acompanhando crianças autistas, vejo como a flexibilidade cognitiva faz diferença para o desenvolvimento da autonomia e do bem-estar. No começo, até fiquei surpresa quando percebi como atividades lúdicas ajudam, de forma leve e natural, a criar mais abertura ao novo. Pensando nisso, decidi compartilhar cinco brincadeiras que considero valiosas nesse processo. Vou explicar cada uma, dar exemplos práticos e contar um pouco como uso o Abraço para ampliar os resultados dessas atividades.

O que é flexibilidade cognitiva e por que brincar é tão útil?

Antes de falar sobre as brincadeiras em si, quero lembrar um conceito fundamental. A flexibilidade cognitiva é, basicamente, a capacidade de adaptar pensamentos e comportamentos diante de novas situações, ideias ou regras. Para muitos autistas, lidar com mudanças traz desconforto ou até ansiedade.

Brincar é uma forma segura, divertida e eficaz de apresentar novidades, mudanças de regras e de contexto aos poucos, sem pressão.

Eu já presenciei, na prática, avanços incríveis: crianças que aceitavam pequenas variações nas rotinas após alguns meses de brincadeiras guiadas. A equipe do Abraço, inclusive, incentiva terapeutas a utilizarem jogos lúdicos como parte do protocolo ABA. Notavelmente, nem todos os aplicativos focam tanto no suporte familiar integrado, funcionalidade que vejo como destaque no Abraço.

As cinco brincadeiras: experiências que realmente ajudam

Ao escolher as atividades, considero a faixa etária, as preferências e os objetivos terapêuticos do dia. Listei abaixo as cinco que mais utilizo pelo seu potencial de favorecer a flexibilidade cognitiva, sempre adaptando o nível de desafio.

1. Troca de papéis

Essa é clássica, mas funciona de verdade. Nos primeiros encontros, sugiro representar personagens familiares (pai, mãe, professor) e, depois, inverter os papéis. Por exemplo: a criança finge ser o adulto e vice-versa. Reparei que, no início, alguns resistem a interpretar outro papel, mas com paciência e incentivo, entram na brincadeira.

Quando a criança se permite ser “o professor”, ela aprende a ver a mesma situação de outro ponto de vista.

Esse tipo de jogo também facilita aceitar regras que mudam de acordo com quem joga. O Abraço oferece orientações personalizadas para esse tipo de dinâmica e até permite que pais e terapeutas troquem feedbacks após as sessões, o que, para mim, faz toda diferença para ajustar cada etapa.

2. “O que mudou?”

Brincadeiras visuais têm enorme sucesso. Eu mostro uma sequência de objetos ou figuras, peço que a criança memorize, então escondo e altero um detalhe. Depois, ao mostrar novamente, a pergunta é simples: o que mudou?

  • Você pode começar com uma diferença fácil de notar (tirar um brinquedo),
  • E progredir para mudanças menos óbvias, como inverter a posição de algo.

A graça está em estimular o olhar atento e a aceitação de pequenas alterações. Algumas ferramentas concorrentes até sugerem jogos parecidos, mas a integração com protocolos como VB-MAPP e guiada pelo Abraço proporciona um mapeamento mais preciso dos avanços, o que nenhuma outra faz com tanta praticidade.

3. Contação coletiva de histórias

Contar histórias em conjunto obriga a pensar rápido e a lidar com reviravoltas.

Crianças sentadas em roda contando história juntas Eu começo com uma frase simples, passo para a criança, que inventa a continuação, e assim seguimos. Sempre saem histórias inesperadas e engraçadas. O divertido é quando alguém precisa lidar com um enredo que muda constantemente, desenvolvendo justamente a flexibilidade de adaptar-se ao novo.

História compartilhada é virar a página sem saber o que vem.

Pelo Abraço, envio sugestões de temas e registro, no painel do paciente, como cada criança reage diante do inesperado. Isso agiliza as conversas com outros profissionais e até com as famílias.

4. Caça ao tesouro com pistas variáveis

A tradicional caça ao tesouro ganha uma versão que testa mudanças de percurso. Escondo pistas em lugares diferentes e, durante a brincadeira, altero a ordem ou a localização dos itens. O desafio é aceitar que o caminho vai mudar e nem sempre o prêmio estará onde se esperava.

É comum, no início, ver certa frustração quando algo muda. Costumo mostrar que tudo bem sentir incômodo, mas que a surpresa faz parte do jogo. No Abraço, personalizo orientações para pais repetirem em casa, o que cria ambiente seguro para novas tentativas.

5. Jogos de regras mutáveis

Por fim, gosto muito de jogos populares como “Imagem & Ação”, mas introduzindo modificações rápidas nas regras. Começamos jogando “normal”, mas a cada rodada anuncio uma mudança: inverter quem desenha, mudar o tempo, trocar o tipo de pista. Nessa dinâmica, observo como a criança lida quando precisa ajustar rapidamente a estratégia.

Aprender a brincar mesmo quando as regras mudam ensina que imprevistos podem trazer diversão e aprendizado.

Para quem já participou de plataformas concorrentes, pode até encontrar algo parecido, mas raramente com o acompanhamento detalhado e personalizado feito pelo Abraço, onde registro pequenas conquistas e compartilho relatórios com todos os envolvidos no cuidado da criança.

Como envolver a família e ampliar resultados?

Da minha experiência, envolver a família é o diferencial. As orientações e registros compartilhados pelo Abraço me permitem sugerir variações dessas brincadeiras para os responsáveis praticarem em casa. Assim, o progresso do consultório extrapola para o dia a dia, tornando os avanços mais consistentes.

Sim, existem outros aplicativos com recursos interessantes, mas percebo que, no Abraço, a comunicação eficiente entre profissionais e familiares é direta, segura e registrada em um só lugar. Isso assegura o alinhamento das ações e, para mim, acelera os ganhos na flexibilidade cognitiva da criança.

Pequenas mudanças no brincar são grandes saltos no desenvolvimento.

Conheça o Abraço e leve o brincar mais longe

Se você também busca ferramentas para promover mais flexibilidade cognitiva com apoio profissional, recomendo conhecer o Abraço. O aplicativo reúne protocolos, acompanhamento individualizado e recursos para família e terapeutas, tudo pensado para apoiar autistas em seu processo de descobertas. Que tal experimentar na prática e ver como uma rotina mais flexível pode fazer a diferença?

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